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A Ilha (The Island, 05)
Pode conter SPOILERS, ou não, depende do fato de você ter lido sinopse, visto o trailer e algum filme de Bay
Começo esse review confessando a minha não repulsa pelo cinema de Michael Bay. Devo ser a única pessoa da blogosfera cinéfila que considera Pearl Harbor um filme fantástico, capaz de fazer bonito num top 20 de 2000 para cá. E falo sério quando galardeio o romance de guerra de Bay com 5 estrelas. Eu realmente adoro Pearl Harbor, não importa o número de comentários de pessoas denegrindo a imagem deste filme e muitas vezes tentando me insultar ou acusar-me de mal gosto ou ofensa a arte do cinema. Sim, gosto e muito. Armaggedon é outro filme de Bay que me agrada, não tanto quanto o primeiro, mas é um obra divertidíssima. Porém, Bay tem seu lado que detesto: ambos Bad Boys. A Ilha tinha cara de filme que eu ia adorar, parecia estar longe dos desprovidos de cérebro Bad Boys I e II. E até metade dele estava felicíssimo. É, A Ilha tornou-se um dos filmes de Bay que não gosto, mas ainda não o considero um péssimo diretor.
A Ilha começa de uma maneira fantástica. A discussão da liberdade, até que ponto ela existe? A Ilha é como o paraíso da Igreja Católica. Devemos viver sob regras durante nossa vida, pois depois seremos recompensados. Isso explica o básico da almejada ilha. A lavagem cerebral que a Igreja realizou na Idade das Trevas é o mesmo que acontece com os habitantes do complexo. A cada semana um é sorteado para ir à ilha, independente de quanto tempo você está lá. Só se sabe uma coisa, você um dia irá para lá. Enquanto você vive lá, tem-se de viver sob as regras daquela sociedade. Até contato físico é proibido. Teoricamente, aquele complexo é um reduto de pessoas que sobreviveram a uma atrocidade que abalou tudo. Não haveria mais vidas devido a uma contaminação. Lá elas são reeducadas e vidas decorrem com a mesma rotina. Six Echo faz o papel dos cientistas na Idade Média, ele é a personagem que começa a contestar toda aquela hegemonia, e obviamente, quem contesta contra o poder tem de ser punido, pelo menos na teoria, certo?
Além dessa discussão, ainda temos a reviravolta mostrada nos trailers. Eles não passam de clones de pessoas no mundo "real", e que, se necessário, servirão para curá-los, ou seja, o mercado dos clones humanos - faz-se o clone, se precisar de um rim no futuro é só extrair de seu clone pois ele não trará rejeição. O problema é que os clones não são seres vegetais, e sim pessoas dotadas de consiência. Entra aí outra discussão, atualmente na moda, sobre a clonagem. Certo ou errado? O que eles faziam era correto? É ético criar-se pessoas que teoricamente já existem para fins comerciais? A primeira metade do filme fantástica. O roteiro dando show com uma discussão religiosa-político-histórica-filosófica, utilizando-se de metáforas e um contexto altamente verossímil naquelas condições, ao menos, perfeitamente acreditável.
O problema do filme começa quando Six Echo descobre a existência desse mundo real e leva seu flerte, Jordan Two Delta, com ele. Aí já não sabe-se se o propósito do filme era atualizar a história, contextualizar o passado, ou mesmo inaugurar um novo padrão para o cinema de ficção, ou se apenas queria-se mostrar o potencial de carros, helicópteros, motos e da equipe de efeitos sonoros. Começa a fuga, uma barulheira infernal, a câmera treme causando-me até um certo enjôo de tanto que balança, o som ensurdecedor dos trasportes por eles escolhidos, todos dotados de uma velocidade incrível. Corre, salta, pula, voa, atira, cai, vira, gira, anda, se esconde, pula, grita, corre, salta, pula, voa, atira, cai, vira, gira, anda, se esconde, pula... O policial malvado que na verdade é bonzinho se transforma, clichês, clichês, clichês (e dos bem chatos), barulho, tontura, sensação de que estamos numa demonstração de veículos, com o diferencial que estamos embaixo do veículo em questão. Não, obrigado, eu passo esse tipo de entretenimento.
E contradigo-me agora, pois toda culpa do filme tornar o que é em grande parte de Michael Bay. Se não fosse ele, a probabilidade do filme se tornar insuportável a partir da metade seria bem menor - a não ser que o diretor escolhido fosse uma outra versão de Bay.
Mas o filme tem seus pontos positivos, e o nome de um deles é Steve Buscemi. Sim, pois não importa em que filme trabalha ele sempre será um dos mais originais e melhores em cena. Ele é fantástico, o melhor em cena e um dos atores mais subestimados que existem. Sobressai-se em toda cena com as versões piloto automático dos protagonistas Ewan McGregor e Scarlett Johanson.
Uma coisa que não entendo é mania de atores ótimos, com uma carreira brilhante a frente e fazerem qualquer porcaria que aparecesse. Vou exemplificar no filme: Michael Clarke Duncan e Dijimon Houson. Sem preconceito em relação a origem africana. Mas expliquem-me, por favor, por que dois atores do porte deles se rendem a tais projetos fadados ao esquecimento, e não digam-me dinheiro, pois os papéis deles são tão pequenos e até mesmo insignificantes que a quantia que recebem não deve ser muito - para padrões hollywoodianos, obviamente. Dijimon mostrou-se um ator fantástico em Amistad pela primeira vez, depois em Gladiador, e finalizou com Terra de Sonhos - que contém sua melhor atuação por mim vista e ganhou uma indicação ao Oscar -, e esse ano participa dos fracos Constantine e A Ilha - fora as participações em Lara Croft e Corridas Clandestinas. Duncan é pior, À Espera de um Milagre o colocou em evidência, mostrando todo seu talento e garantiu uma indicação ao Oscar, depois vieram - só para citar alguns - Spot, O Escorpião Rei e George, O Rei das Florestas 2. Mesmo em filmes com mais renome, como Sin City, sua participação é minúscula. Vai entender, como tais atores fazem isso? Se me falarem que são as únicas porpostas que recebem é o mesmo que atestar que Hollywood e o mundo estão em decadência.
Pelo menos o filme visualmente é bem feito.
Nota: 50/100
Escutando: CD (Quatro - Los Hermanos); Música (Cristal Days - Echo and the Bunnymen)
A Descobrir
Batedor de Carteiras (Pickpocket, 59) - Meu primeiro contato com Bresson foi absurdamente divertido. Até cogitei virar um batedor de carteiras. O cinema francês tem coisas muito boas, e esse é um dos bons exemplos. A narração da vida de um homem decadente que se sustenta a partir do fato que bate carteiras. Brilhante. [83]
Escrito por Gabriel Carneiro às 20h16
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Em resposta a meu pedido, Mel escreveu algo para atualizar meu blog, pode-se considerar, por que não?, uma coluna.
O texto pode conter SPOILERS sobre o filme em questão: Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth, 86).
I Thought Fairies Did Nice Things
Labirinto! Labirinto!! Esse é um dos nada-a-ver movies que estão na minha lista de preferidos ever. Pela trilha sonora, pelo Bowie, pelo clima, pela Jennifer, tudo. O Bowie com aquelas calças justas é uma coisa... Aliás, o Bowie é uma coisa com qualquer coisa. [existe alguém no mundo que não ache esse moço um charme?]
O curioso desse filme em particular é que ele está aberto a TANTAS interpretações diferentes e paradoxais que é impossível não amar tentar encontrar significados ocultos no roteiro. Labirinto é fofo e é amargo. Embora eu ache que pouca gente enxergue metáforas nele. Eu nem sei se as que eu enxergo de fato o são, mas elas me fazem gostar do filme.
Eu nunca considerei, por exemplo, o personagem do Bowie um vilão. Jareth é encantador e portador de características extremamente atraentes. É obviamente uma alma sozinha e amargurada, mas com tanta beleza ao seu redor, tanta dor e tanta tristeza... Eu, no lugar da Jennifer, aceitava o pedido dele e me entregaria ao submundo de Jareth.
"I have been generous till now and I can be cruel. Everything that you wanted I have done. You asked that child be taken. I took him. You cowered before me and I was frightening. I have reordered time. I have turned the world upside down. AND I HAVE DONE IT ALL FOR YOU! I am exhausted from living up to your expectations. Isn't that generous? I ask for so little. Just fear me, love me, do as I say and I will be your slave. " Há como não se render a tal pedido? Há como se manter impassível perante uma súplica tão doce e deseperada? Há como não relacionar tanta solidão vinda de um rei à verdade esmagadora e cruel de que, aqui, no mundo real, todos são egoístas e condicionais, todos têm noções distorcidas de justiça e lealdade, TODOS querem algo em troca do amor ou da confiança? É por isso que eu choro quanto escuto à trilha sonora desse filme - down, in the underground, you WILL find someone true. E a Sarah prefere continuar no lado do mundo em que não há mais sonhos, não há mais verdade, não há mais nada. A diferença entre ela e o resto do mundo é que ela experimentou o outro lado, ela sentiu na própria carne a devoção de Jareth, a loucura que a procura por uma sensação que pareça verdadeira pode trazer.
E tem aquela cena em que Sarah está em seu quarto falso, no meio do lixão do labirinto, completamente alheia ao seu intuito e seus princípios, e ela se olha no espelho e tenta encontrar nos arquivos mentais de sua jornada - pelo labirinto e fora dele - até o momento algum resquício de quem ela é. Quantas vezes eu já não fiquei assim, olhando pro espelho do quarto e divagando sobre coisas que eu sabia que nunca aconteceriam? Duvidando da vida que eu não sabia se era minha e que, mesmo assim, me levava, senhora do tempo e das escolhas, para algum lugar que eu nunca reconheceria...?
Não há nenhum outro filme do qual eu lembre ter gostado tanto. Existe Quase Famosos, é claro, um concorrente pesadíssimo na história da minha vida, que também me traz sensações de amargo-doce - mas por outros motivos, talvez. Labirinto é uma fábula linda, sabe, e tudo o que vem nesse formato misterioso me atrai um pouco mais do que o resto das coisas.
E todo o filme é entrelaçado pela trilha sonora significativa e perfeitinha. Todas as músicas do Bowie nesse filme são lindas e fofas e meigas. Cada uma no momento certo. Sempre.
Por mais cafoninha que você possa achar:
As The World Falls Down
There's such a sad love Deep in your eyes A kind of pale jewel Opened and closed Within your eyes I'll place the sky Within your eyes
There's such a fooled heart Beating so fast In search of new dreams A love that will last Within your heart I'll place the moon Within your heart
As the pain sweeps through Makes no sense for you Every thrill he's caused Wasn't too much fun at all But I'll be there for you As the world falls down
Falling Falling down Falling in love
I'll paint you mornings of gold I'll spin you Valentine evenings Though we're strangers till now We're choosing the path Between the stars I'll live my love Between the stars
As the pain sweeps through Makes no sense for you Every thrill he's caused Wasn't too much fun at all But I'll be there for you As the world falls down
Sim, esse filme É essa música, embora na época eu cantasse mais "Underground" do que ela. Hoje em dia é essa.
[abstraiam] Eu estava comentando com alguém um dia desses que, fora todo o resto, esse filme me fez questionar minhas preferências sexuais e tal. Numa época eu achei que estava virando lesbo porque me apaixonei pela Jen... Hahaha, abafem o caso. Se eu tivesse internet nessa época e visse outras girls berrando que amam Madonna, Courtney Love, Bettie Page e etcétera, não teria tido uma crise existencial. [ /abstraiam]
Escrito por Mel von Erlea.
Escrito por Gabriel Carneiro às 21h08
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Balanço do ano (até hoje)
Aqui estão os filmes que vi no ano que tiveram estréia. A partir do 43º, os filmes me desagradaram.
- Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 04)
- Closer - Pero Demais (Closer, 04)
- A Queda! - As Últimas Horas de Hitler (Der Utergang, 04)
- Old Boy (Oldboy, 03)
- O Cachorro (El Perro, 04)
- O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro, 04)
- A Fantástica Fábrica de Chocolates (Charlie and the Chocolate Factory, 05)
- Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, 05)
- Sideways - Entre Umas e Outras (Sideways, 04)
- Um Filme Falado (Um Filme Falado, 03)
- Mar Adentro (Mar Adentro, 04)
- Herói (Hero, 02)
- O Fantasma da Ópera (The Phantom of the Opera, 04)
- Jogos Mortais (Saw, 04)
- 9 Canções (Nine Songs, 04)
- A Vida Secreta dos Dentistas (The Secret Lives of the Dentists, 02)
- Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland, 04)
- O Casamento de Romeu e Julieta (Idem, 05)
- O Clã das Adagas Voadoras (Shi Mian Mai Fu, 04)
- O Lenhador (The Woodsman, 04)
- A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou, 04)
- Terra dos Mortos (Land of the Death, 05)
- Sobre Cafés e Cigarros (Coffes and Cigaretes, 03)
- Machuca (Idem, 04)
- Batman Begins (Idem, 05)
- Mondovino (Mondovino, 04)
- Eterno Amor (A Very Long Engagement, 04)
- Quase Dois Irmãos (Idem, 05)
- Kung Fusão (Gong Ku, 04)
- Hora de Voltar (Garden state, 04)
- Caiu do Céu (Millions, 04)
- Ray (Ray, 04)
- Ninguém Pode Saber (Dare Mo Shiranai, 04)
- O Aviador (The Aviator, 04)
- Entrando Numa Fria Maior Ainda (Meet the Fockers, 04)
- Desventuras em Séries (Lemony Snicket's Unfortunable Events Series, 04)
- Sin City - A Cidade do Pecado (Sin City, 05)
- Camelos Também Choram (Die Geschichte vom Weinenden Kamel, 03)
- O Filho de Chucky (Seed of Chuckie, 04)
- Madagascar (Madagascar, 05)
- Robôs (Robots, 05)
- O Cárcere e a Rua (Idem, 05)
- Provocação (The Door in the Floor, 04)
- Querido Frankie (Dear Frankie, 04)
- Alexandre (Alexander, 04)
- Nicotina (Nicotina, 03)
- Constantine (Constantine, 05)
- A Menina Santa (La Niña Santa, 04)
- O Segredo de Vera Drake (Vera Drake, 04)
- O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide of the Galaxy, 05)
- Contra Corrente (Undertow, 04)
- O Chamado 2 (The Ring Two, 05)
- Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 05)
- A Intérprete (The Interpreter, 05)
- Maria Cheia de Graça (Maria Full of Grace, 04)
- Melinda e Melinda (Melinda and Melinda, 04)
- Reencarnação (Birth, 04)
- O Amigo Oculto (Hide and Seek, 05)
- O Sétimo Dia (El Séptimo Dia, 04)
- Tentação (We Don't Live Here Anymore, 04)
- O Grito (The Grudge, 04)
Escrito por Gabriel Carneiro às 12h35
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Filmes vistos em Julho - Parte 2 legenda: revisto
- Reencarnação (Birth, 04)
[27]
- Um Filme Falado (Um Filme Falado, 03)
[86]
- Sem Novidades no Front (All Quiet in Western Front, 30)
[84]
- O Nascimento de uma Nação (Bith of a Nation, 15)
[87]
- Levada da Breca (Bringing Up Baby, 38)
[73]
- Os 39 Degraus (The Thirty Nine Steps, 35)
[76]
- Meu Filho é Meu Rival (Come and Get It, 36)
[88]
- A Noiva do Monstro (Bride of the Monster, 55)
[30]
- A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther, 64)
[81]
- A Fantástica Fábrica de Chocolates (Charlie and the Chocolate Factory, 05)
[89]
- E.T. - O Extraterrestre (E.T. - The extraterrestrial, 82)
[93]
- Réquiem Para um Sonho (Requiem For a Dream, 00)
[82]
- Provocação (The Door in the Floor, 04)
[56]
- Terra dos Mortos (Land of the Death, 05)
[73]
- Closer - Perto Demais (Closer, 04)
[95]
- O Filho de Chucky (Seed of Chucky, 04)
[60]
Comentários: Capra é Deus, assisti mais 5 filmes dele nesse mês e a nota mais baixa foi 85; Spielberg mostrou que fez coisa pior que Guerra dos Mundos anterioemente com seu 1941, mas a cada revisão, A.I. sobre no meu conceito, assim como E.T.; Não desgosto mais de Encontros e Desencontros, mas continuo achando-o medíocre e superestimado, ganhou a nota da indiferença: 55; Closer caiu com uma revisão, o posto de melhor do ano é de Menina de Ouro agora; Ed Wood realmente produzia filmes bem ruins - A Noiva do Monstro -, e a participação do povo gigante de borracha é GENIAL; Os filmes de hoje não são mais bons como antigamente, veja as piores notas e comprovará isso; M é um ótimo filme, mas um tanto quanto decepcionante para quem espera uma obra-prima; A cada filme que vejo de John Ford gosto menos dele, um maravilhoso - Vinhas da Ira - e dois medíocres - O Furacão e Médico e amante; Um Filme Falado redimiu Manoel de Oliveira, havia visto O Convento que é muito ruim e chato; Sem Novidades no Front é uma ótima adaptação do extraordinário livro Nada de Novo no Front.
Melhores do mês
- A.I. - Inteligência Artificial
- Do Mundo Nada Se Leva
- O Homem das Novidades
- A Mulher Faz o Homem
- Closer - Perto Demais
- E.T. - O Extraterrestre
- A Noiva do Frankeinstein
- O Castelo Animado
Piores do mês:
- Por um Senso Comum de Pudor
- Reencarnação
- Doze é Demais
- A Noiva do Monstro
- 1941 - Uma Guerra Muito Louca
Escrito por Gabriel Carneiro às 19h34
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Filmes vistos em Julho - Parte 1 legenda: revisto
- Duas Almas se Encontram (Barbary Coast, 35)
[85]
- Abafando a Banca (Kid Millions, 34)
[53]
- Dois Perdidos Numa Noite Suja (Idem, 02)
[46]
- Alien 3 (Alien 3, 92)
[62]
- O Picolino (Top Hat, 35)
[86]
- King Kong (King Kong, 33)
[83]
- O Homem que Luta Só (Ride Lonesome, 59)
[79]
- O Gabinete do Dr. Caligari (Das Kabinett des Doktor Caligari, 19)
[80]
- O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes To Town, 36)
[89]
- O Homem das Novidades (The Cameraman, 28)
[100]
- 9 Canções (Nine Songs, 04)
[84]
- M, o vampiro de Düsseldorf (M, 31)
[76]
- Beco Sem Saída (Dead End, 37)
[89]
- O Terceiro Homem (The Third Man, 49)
[85]
- Ama-me esta Noite (Love me Tonight, 32)
[51]
- Médico e Amante (Arrowsmith, 31)
[53]
- Um Tiro no Escuro (A Shot in the Dark, 64)
[90]
- Por um Senso Comum de Pudor (Il Comune Senso del Pudore, 76)
[11]
- Monty Python Ao Vivo no Show de Hollywood (Monty Python Live at Hollywood Bowl, 82)
[60]
- O Show Deve Continuar (All That Jazz, 79)
[52]
- Caiu do Céu (Millions, 04)
[68]
- Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 03)
[55]
- A.I. - Inteligência Artificial (A.I. - Artificial Intelligence, 01)
[100]
- Para Sempre Lilya (Lilja 4-ever, 02)
[53]
- Edukators (Die Fetten Jahre Sind Vorbei, 04)
[75]
- A Noite (La Notte, 61)
[78]
- Querido Frankie (Dear Frankie, 04)
[54]
- O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro, 04)
[90]
- Doze é Demais (Cheaper By the Dozen, 03)
[29]
- Eu, Robô (I, Robot, 04)
[50]
- Inferno Nº 17 (Stalag 17, 53)
[61]
- Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 00)
[50]
- 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1941, 79)
[37]
- Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans, 27)
[84]
- Kung Fusão (Gong Fu, 04)
[69]
- Horizonte Perdido (Lost Horizon, 37)
[87]
- O Vampiro (Vampyr, 32)
[75]
- Nenhum a Menos (Yi Ge Dou Bu Neng Shao, 99)
[64]
- Frankeinstein (Frankeinstein, 31)
[80]
- A Noiva do Frankeinstein (Bride of Frankeinstein, 35)
[91]
- Do Mundo Nada se Leva (You Can't Take It With You, 38)
[100]
- O Encouraçado Potenkim (Bronenosets Potenkim, 25)
[80]
- Con Air - A Rota da Fuga (Con Air, 97)
[76]
- Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night, 34)
[85]
- A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington, 39)
[96]
Comentários: 61 filmes vistos no mês, excluindo tudo visto no Anima Mundi.
Escrito por Gabriel Carneiro às 10h16
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A Fantástica Fábrica de Chocolates (Charlie and the Chocolate Factory, 05)
PARTE 2
Pode conter SPOILERS, incluindo de outros filmes do Burton
Deixando de lado a inserção no roteiro do próprio Burton, o resto do filme já é um grande conhecido do público. Um excêntrico fabricante de chocolates que vive isolado na sua fábrica com seus Oompa-Loompas resolve fazer uma caça ao tesouro, distribuindo 5 convites dourados para visitarem sua fábrica. Um desses garotos é Charlie, um menino muito pobre, que sonha em conhecer Wonka e sua fantástica fábrica de chocolates. Tirando algumas mudanças efetivas no roteiro em relação a versão de 1971, a grande diferença encontra-se nas personalidades nas personagens e principalmente no estético. A versão de Burton é mais sombria, mais humana e mais psicótica.
Johnny Depp, mesmo com aquela escorregada em Em Busca da Terra do Nunca, numa atuação correta, ele volta em sua melhor forma como Willy Wonka. Suas gags são geniais, e mostra mais uma vez sua versatilidade. Agora ele faz o papel do bizarro, do perturbado, extremamente irônico e cínido e extremamente hilário. É impagável quando ele vai entrar no elevador de vidro e dá de cara com a porta. E melhor ainda é a cara que ele faz depois. Depp sempre foi um dos meus atores preferidos da atualidade, e com esse filme ele entra para o hall dos meus atores preferidos de todos os tempo. A psicose da personagem encontra-se na primeira cena dele, quando começa a música e os bonecos a derreterem, e Wonka achando tudo lindo e engraçado. Brilhante atuação. E novamente critico Freddie Highmore. O garoto está londe de ser excepicional, é um bom ator, como muitos outros garotos na atualidade. Ele está se tornando a versão masculina da Dakota Fanning. Querem garotos que são ótimos atores? Fiquem com Alexander Nathan Etel e Lewis Owen McGibbon, os protagonistas de Caiu do Céu. Esses sim vão despontar como astros, ao menos deveriam. David Kelly é um velho muito simpático, daqueles que dá vontade de ter um. Ele como avô de Charlie é muito carismático e desconcertante. Ganha em todas as cenas de Highmore com sua amabilidade.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi os cartazes. Cada garoto ganhava um, com uma frase: Charlie - "Is Lucky to be there" (Tem sorte de estar lá); Mike - "Thinks candy is waste of time" (Pensa que doces é uma perda de tempo); Veruca - "Is a very bad nut" (É uma noz estragada); Violet - "Keeps her eyes on the prize" (Mantém seus olhos no prêmio); Augustus - "Is what he eats" (É o que come). Willy Wonka também ganhou o seu, "Is Semi-sweet and nuts" (É amargo com nozes), assim como os Oompa Loompas, "Are crazy for cocoa beans" (São loucos por cacau). Cada frase resumia cada personagem de acordo com a fábrica. O interessante é ver que cada criança assim é pela derivação dos pais, são genéricos. Charlie, o garoto pobre, que ganha por sorte o último convite. Um menino humilde que dá muito valor a família, assim como os próprios. Mike é um viciado em TV que quebra o código de Wonka, e nem gosta de doces, só queria estar lá. Veruca é uma menina mimada que consegue tudo o que quer do pai ordenando. Este obedece à sua filha transformando-a num monstro egoísta. Violet só quer vencer a todo custo, é a personificação bem sucedida da mãe que nunca ganhou nada e deposita em sua filha toda sua desilusão. Violet só quer ganhar o prêmio. Augustus é um guloso, assim como sua mãe, só pensam em comida e ele faz de tudo para experimentar cada vez mais doces e chocolates. Todos tem sua fraqueza (exceto Charlie, a não ser que afeição e apresso pela família possa ser considerado tal), e Wonka sabe disso e quer eliminá-los, tendo um verdadeiro herdeiro de seu império. E por serem frutos de uma família que os tranformaram no que são que talvez Wonka tenha tamanho repúdio por elas.
Creio que um dos maiores apressos da obra é a inigualável homenagem a Stanley Kubrick e seu fenomenal 2001: Uma Odisséia no Espaço. Entramos na sala de TV da fábrica, óculos especiais são obrigatórios caso queiramos continuar enxergando. Tem um Oompa-Loompa assisitndo televisão, está vendo 2001, a maravilhosa cena dos primatas, mexendo na ossada. Toca a trilha sonora, famosa pela cena da nave se movendo. Wonka quer demonstrar sua experiência, dissolver uma barra de chocolates Wonka em parítculas e transmití-la na TV, para que possamos assistir TV e comer uma deliciosa barra de chocolate Wonka, é fácil, é só pegá-la dentro do televisor. Um porém, a barra tem de ser enorme, pois é como na vida real, as pessoas ficam pequeninas no aparelho, com o chocolate ocorre o mesmo. Uma barra de chocolate Wonka gigante aparece, ela caminha para o local da desintegração, recomeça a trilha de 2001, ela vai subindo em câmera lenta, foca-se no rosto de Wonka, na barra, em Wonka, na barra, em Wonka, na barra, em Wonka, tudo em câmera lenta, tocando a trilha sonora. O ápice da música chega, e assim a barra desaparece. Olhamos a TV e ela tomou o lugar da pedra preta na cena dos macacos. E assim, Burton realiza uma das mais bonitas homenagens feitas a um diretor e ao cinema em si. Pois 2001 é um marco do cinema, da arte e da complexidade das coisas. A referência é explicíta e linda, reverente e magnânima. Fiquei até emocionado e com vontade conferir novamente o clássico de Kubrick. Tudo está em sicronia com o movimento da nave em 2001, e com o intuito dos primatas ao remexerem nos ossos. A tentativa de descoberta. Isso prova como cinema de qualidade sempre ficará gravado na história. Burton homenageando Kubrick é esplendoroso.
Eu juro que gostaria de trabalhar na equipe técnica do Tim Burton, poder estar ao redor de tudo aquilo, daqueles figurinos maravilhosos, cenários fantásticos, de todo aquele universo criado. A equipe técnica dele é maravilhosa, não tem mais como descrever tudo isso. Só vendo mesmo. Toda a essência do cinema de Burton está nas qualidades técnicas, todo o clima, de tão genial que é.
A Fantástica Fábrica de Chocolates é um dos melhores exemplos do cinema de um dos mais aclamados diretores da atualidade, Tim Burton. O estético arrebatador, a fábula soturna, a retrocesso e análise de um ser humano em suas falhas e problemas e um divertido exemplo de como não levar as coisas tão a sério. A meu ver, fica apenas atrás de Edward Mãos de Tesoura e Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas.
Nota: 89/100
Escutando: CD (The Velvet Underground - The Velvet Underground); Música (Sing - Travis)
A Descobrir
Meu Filho é Meu Rival (Come and Get It, 36) - Começou com Howard Hawks e terminou com William Wyler, dois dos maiores mestres do cinema. Não filmaram juntos mas fizeram parte da obra, e uma belíssima obra. Um dos poucos filmes com o destaque Edward Arnold merece. A história de alguém que quer subir na vida, mas que tem de fazer sacrifícios, incluindo esquecer do amor da sua vida, mas isso o volta a peseguir 20 anos depois. O final é duro, realista e poético. Não se pode ter tudo o que se quer afinal. [88]
Escrito por Gabriel Carneiro às 20h03
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